Razões para atentar a possíveis intervenções sobre o Brasil

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Depois que o mundo do futebol sofreu uma intervenção direta do chefe de Estado do país mais poderoso do mundo, não é apenas a Copa do Mundo que está comprometida. E, se levarmos em consideração as palavras do próprio chanceler brasileiro, Mauro Vieira, os Estados Unidos da América estariam dispostos a intervir no Brasil de forma mais séria do que no cartão vermelho mostrado pelo juiz brasileiro na partida contra a seleção do país dele.

Nas palavras do ministro brasileiro, os Estados Unidos, conforme suas novas diretrizes em relação ao Brasil, pode até mesmo cogitar uma ação militar no Brasil. A afirmação da mais alta autoridade da diplomacia brasileira causou espanto em diversos círculos, com toda razão, e talvez nada do que ele disse se concretize. Mas só de termos chegado ao ponto de debater a possibilidade, já deveria ser preocupante.

Compete à cidadania ficar atenta. Assim como compete ao Estado e seus agentes — nós, servidores públicos — manter olho vivo sobre os critérios republicanos da ação do Estado. As eleições presidenciais vêm aí, e justamente sobre este importante momento político já há pressões estrangeiras perceptíveis.

O Brasil é um país soberano, e seus agentes públicos devem ser a figura de proa na defesa do país e suas estruturas. A legislação brasileira tem que ser respeitada em cada passo do processo eleitoral. Os métodos usados pelo Brasil para escolher seus representantes devem estar sob o escrutínio único dos cidadãos e instituições nacionais.

Ocorre que nestes tempos em que o mundo parece ter voltado ao regime da “lei do mais forte”, os limites impostos à intervenção do país mais poderoso parecem não existir. Se por um lado tem-se o caso de um cartão vermelho anulado na Copa, por outro colecionam-se intervenções já acontecidas, como na Venezuela e em Cuba. O Brasil não é, nem pode ser classificado como se fosse, um país entregue a regime autoritário ou a redes criminosas. Isto, em tese, deveria nos manter distante da possibilidade de uma intervenção internacional. Mas na prática, esse tipo de previsão ainda vale?

E diante das formas novas de coletar dados instantâneos, em níveis muito profundos, uma intervenção como essas pode acontecer sem nem sequer ficar muito claro que está acontecendo. As grandes empresas de tecnologia digital, todas elas propriedade de magnatas e fundos financeiros dos Estados Unidos, são hoje um potencial agente político daquele país na defesa de seus interesses.

É hora de o Estado brasileiro, de mãos dadas com seus servidores, preservar o acesso às nossas informações, dados e sistemas. É hora de trabalhar diplomaticamente para rechaçar intervencionismos indevidos. É hora de o Brasil demarcar sua posição, se necessário aplicando cartão vermelho (mas sem anular depois).


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