Uma vida em defesa da carreira

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Maria do Amparo Souza Lima é Técnica de Planejamento e Orçamento aposentada, e mesmo aos 72 anos continua atuante com a Assecor.  

A carreira de Planejamento e Orçamento tem uma história longa e rica de serviços prestados ao Brasil. Para além do que é representado pelos Analistas de Planejamento e Orçamento, parte significativa dessa contribuição foi dada pelos Técnicos de Planejamento e Orçamento. Hoje, já não se abre mais concurso para este cargo. Mas em tempos idos, profissionais de nível médio que ajudaram a consagrar esta carreira típica de Estado se destacaram. É o caso de Maria do Amparo Souza Lima, hoje com 72 anos e Técnica de Planejamento e Orçamento aposentada. 

Amparo, como é conhecida pelos colegas, chegou a Brasília em 1967, vinda de Teresina, Piauí. A capital federal ainda era uma cidade recém inaugurada. “Vim do Nordeste naquela época, com todas as dificuldades que havia, e consegui me tornar uma servidora pública, que era meu sonho”, ela conta. 

Amparo construiu sua carreira primeiramente como secretária e depois como Técnica de Planejamento e Orçamento. Mas desde antes, sempre esteve próxima ao tema dos orçamentos públicos. “Eu sou do tempo em que o orçamento era manuscrito. Nós trabalhávamos muito. Na época de confeccionar o orçamento, tínhamos hora para chegar mas não tinha hora para sair. Aconteceu muitas vezes de sairmos do Ministério a 1 hora da madrugada, mesmo quem como eu tinha filhos pequenos”. 

O auge da carreira de Amparo foi na SOF, a Secretaria de Orçamento Federal. Ali, ela passou quase 15 anos, até se aposentar em dezembro de 1994, pouco depois do lançamento do Plano Real. Logicamente, ela contribuiu para que a SOF se tornasse a estrutura institucional efetiva e fundamental que é hoje. 

Momento atual

Apesar de aposentada, Amparo continua atuante em defesa da carreira. Ela é presença frequente nas ações sindicais da Assecor pelo melhoramento das condições de trabalho e remuneração dos profissionais. “Quando tem paralisação, estou sempre junto. Vou à Câmara e ao Senado e ajudo a conversar com os políticos, explicando os valores da nossa carreira”, diz ela. 

Sua percepção é de que os profissionais da carreira de Planejamento e Orçamento já viveram dias melhores. “Vivemos um descaso muito grande por parte do governo. Antigamente tínhamos as datas-base, sabíamos como seria o futuro e planejávamos nossa vida. Hoje, a cada ano ficamos sem saber o que vai ser. Somos importantes. Um país sem orçamento o que é?”