Discurso alinhado

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A equipe econômica da presidente Dilma Rousseff está tentando alinhar o discurso para recuperar a credibilidade entre empresários. Com esse objetivo, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, e o secretário do Tesouro Nacional, Arno Augustin, se reuniram ontem com a chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, e a ministra do Planejamento, Miriam Belchior, no Palácio do Planalto. Na pauta, como fugir da “contabilidade criativa” nas contas públicas.

O uso excessivo de truques para alcançar a meta do superavit primário (economia para o pagamento dos juros da dívida pública) desde o início da gestão de Dilma jogou a confiança do mercado na lama. Não à toa, a governante vai chegar em 2014 sem cumprir a promessas de atingir a taxa de investimento de 25% em relação ao Produto Interno Bruto (PIB). O país não consegue ultrapassar o patamar de 20%. E Mantega já reconheceu que o Brasil só conseguirá chegar a 24% em 2022.

A ordem da presidente agora é deixar “transparecer honestidade” com as contas públicas. Mas, nos bastidores das apresentações de Mantega, empresários e economistas admitem não levar fé no mundo cor de rosa descrito por ele. Apesar do recorde na arrecadação em novembro, os números não empolgam porque continuam sendo inflados com receitas extraordinárias.

A Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) prevê um superavit de 3,1% do Produto Interno Bruto (PIB), mas o governo avisou que vai realizar abatimentos. A lei prevê até R$ 65 bilhões, mas Mantega prometeu usar, no máximo, R$ 45 bilhões, sendo R$ 25 bilhões do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e R$ 20 bilhões das desonerações. Com isso, a meta seria de 2,3% do PIB. (RH)

» Mudança no abono e no seguro

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, vai se reunir, na próxima quinta-feira, com representantes das centrais sindicais em São Paulo para negociar mudanças nas regras do abono salarial e do seguro-desemprego. Estão, na pauta, mudanças nos critérios de concessão e correção dos benefícios. Para o abono salarial, uma das propostas é aumentar o tempo que o trabalhador tem que permanecer no emprego para requerer o benefício. Hoje basta ao empregado com carteira assinada comprovar um mês de trabalho formal para ser contemplado. No caso do seguro-desemprego, a ideia é alterar a taxa de correção dos valores pagos, do salário mínimo para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC). Neste ano, o abono e o seguro-desemprego vão consumir R$ 46 bilhões.