Uma Federação para renovar nossa trajetória coletiva

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Os tempos atuais estão reforçando a antiga máxima que diz: “a união faz a força”. As muitas divisões políticas e de interesse se avolumam e geram conflitos em todos os lugares e todas as esferas da vida social. No mundo do trabalho, basta olharmos o que aconteceu com a antiga tradição de sindicalização, hoje substituída por uma prática de individualização extremada do trabalho, perda de direitos e diversas formas de precarização das condições laborais.

No Brasil, os servidores públicos ainda dispõem dos instrumentos de defesa organizada de seus direitos e interesses. Muitos veem nisto um privilégio, apesar de viverem em um país onde o direito de greve está escrito na Constituição. Mas não importa: é necessário assumir e engrandecer a responsabilidade que é a atuação sindical, mesmo em uma época tão adversa.

Mesmo com todos os riscos de atritos e incompreensão, precisamos nos lembrar que as carreiras de Estado são naturalmente políticas, além de técnicas. Somos cobrados politicamente por nossa atuação, como deve ser em qualquer República democrática. É da natureza de nossa função e, portanto, deveríamos coletivamente valorizar nossa possibilidade de atuação sindical.

É o que estamos propondo com o projeto de uma Federação dos Analistas de Planejamento e Orçamento federais e cargos idênticos ou similares em outras esferas do poder executivo. A futura Federação será um espaço de reconhecimento político da categoria. Será por meio dela que vamos ter um fórum de debate e organização. Com nossa Federação, conseguiremos nos apoiar mutuamente na resistência às mais recentes propostas reformistas que querem tirar direitos e comprimir salários. Também por esta iniciativa, nossa carreira vai contribuir para manter viva no país a noção de que o Estado é fundamental para a sociedade.

Porque não nos iludamos: se as ideias de Estado mínimo continuarem se espalhando na velocidade atual, em algum momento seremos todos considerados desnecessários, e rapidamente alguma reforma legal poderá permitir até mesmo a dispensa sumária de servidores como nós.

É por isso que, no contexto atual, sindicato é mais do que necessário. E mais do que isso: dado o contexto, sua natureza política é hoje mais evidente do que nunca. Uma Federação de analistas de planejamento e cargos similares será um passo muito relevante na nossa trajetória coletiva