Dia Internacional para a Eliminação da Discriminação Racial lembra a importância da luta diária contra o preconceito, a discriminação e o racismo

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Marco fundamental na batalha pelas conquistas de direitos sociais para a população negra, o Dia Internacional de Luta pela Eliminação da Discriminação Racial foi celebrado ontem (21/03). A data foi instituído pela Organização das Nações Unidas (ONU) em memória às 69 vítimas fatais do “Massacre de Sharpeville”, ocorrido em 1960, na África do Sul. Em meio ao apartheid, 20 mil pessoas negras protestavam pacificamente contra a instituição da Lei do Passe, que previa a obrigatoriedade de negros portarem cartões de identificação nos quais constavam os locais aonde eles poderiam ir, quando tropas do exército do regime opressor local abriram fogo contra os manifestantes desarmados, resultando em 186 pessoas feridas.

61 anos após o massacre, a intolerância racial permanece arraigada na humanidade. Esse é mais um dos episódios da história de opressão e crueldade contra os negros, que atualmente ainda convivem com a discriminação racial.

Passados 131 anos da abolição da escravatura, nosso país ainda hoje exibe intensas marcas do período escravista, produzido e reproduzido sistematicamente pelo racismo. Economicamente, de acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) de 2019, negros com ensino superior completo recebem salários 31% inferiores aos de brancos com a mesma formação. Um ano antes, o IBGE declarou que somente 30% dos cargos de chefia do país eram ocupados por pessoas pardas e pretas, grupo que, vale destacar, corresponde a 55,8% da população brasileira, números também fornecidos pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.

Maioria, inclusive, os negros também são entre as vítimas de homicídios. Pelo menos é o que indica o Atlas da Violência de 2017, ao relatar que, das 65.602 pessoas assassinadas naquele ano, 75,5% eram negras. O mesmo acontece na população prisional, formada, em 61,6%, por pretos e pardos, de acordo com o Levantamento Nacional de Informações Penitenciárias (Infopen) de 2016. Estatísticas que servem de embasamento perfeito para a reflexão, mas também de motivação para a luta.

A Assecor permanece vigilante no combate a discriminação racial de qualquer origem e todo e qualquer tipo de opressão, principalmente na carreira de Planejamento e Orçamento. A discussão é sempre necessária e o confronto inevitável diante de atitudes, ações e palavras discriminatórias. Fortalecer os pactos civilizatórios e ampliar os limites da democracia no mundo das ideias é o caminho para a construção de um país mais livre, justo e solidário.

“Numa sociedade racista, não basta não ser racista. É necessário ser antirracista.” Angela Davis

Uma reflexão que deixamos é como nos tornarmos aliados nessa luta contra a discriminação racial, citamos um trecho do artigo de Denise Carreira publicado na Revista Conectas edição 28, publicada em novembro de 2018:

“Por fim, vale dizer que a transformação almejada exige, sobretudo, uma disposição para que as pessoas brancas se coloquem ativamente como aprendizes nessa reconstrução das relações raciais, enfrentando o desconforto, o medo, o desconhecimento; reeducando olhares e escutas; refletindo e avaliando suas ações em diálogo com pessoas negras e indígenas; desconstruindo a produção de privilégios, das discriminações e das violências no cotidiano e nas instituições e se abrindo para descobrir tudo aquilo que perdemos aos longo de séculos e atualmente – como seres humanos – ao negar o reconhecimento da dignidade, dos conhecimentos, da história, das culturas e dos valores civilizatórios dos povos africanos, afro-brasileiros e indígenas”.