“Novo pacote fiscal do governo dialoga com PL das terceirizações”

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Os servidores públicos federais das carreiras estratégicas do Estado rechaçaram nesta quarta (16), em nota pública, as novas medidas do pacote de ajuste fiscal anunciadas pelo governo. De acordo com o documento, a categoria é a maior prejudicada pelas propostas do executivo, que preveem adiamento dos reajustes salariais já acordados e até cortes de direitos. 
 
“As medidas que têm mais chance de serem efetivadas – porque não dependem da aprovação do Congresso, já claramente posicionado contra o governo Dilma – são justamente as que penalizam os servidores”, justifica o secretário-geral do Fórum  Nacional Permanente de Carreiras Típicas de Estado (Fonacate), Rudinei Marques. 

De acordo com o dirigente sindical, se o governo pretende cortar o abono permanência, mandar 100 mil servidores para casa e suspender os concursos públicos, conforme anunciou, só lhe restará uma alternativa para manter os serviços essenciais funcionando: precarizar a contratação de mão de obra. 
 
“Como o governo poderia funcionar de outra forma? Esse pacote dialoga com o projeto de lei, em tramitação no congresso, que amplia as terceirizações, permitindo contratações precarizadas até mesmo para as atividades-fim das empresas e órgãos públicos”, denunciou.

Nau sem rumo
Marques afirma que os 180 mil servidores representados pelo Fonacate ficaram revoltados com a suspensão do acordo salarial proposto pelo governo há apenas 15 dias. “Nós havíamos aceitado um reajuste de 5,5%, um valor abaixo da inflação do ano prevista pelo Banco Central para fechar em 9,29%, porque estávamos dispostos a dar nossa cota de sacrifício para o ajuste fiscal. E ainda assim o governo desconsiderou o compromisso que havia assumido com as nossas categorias, comprovando que está totalmente perdido e sem rumo”, disse.
 
Segundo ele, o Fonacate está apoiando a paralisação geral conclamada pelo Fórum Nacional dos Servidores Federais, que representa mais de 90% dos 10,5 milhões de servidores públicos federais brasileiros. A data escolhida, em reunião realizada nesta terça (15), foi a próxima quarta (23). “Nós vamos paralisar as atividades em todos os estados e realizar um ato no Congresso Nacional. Não há como ser condescendente com um governo que penaliza os trabalhadores e preserva os bancos”, adverte. 
 
Para o dirigente sindical, o governo Dilma perdeu completamente sua sustentação porque, desde o início do ano, vem investindo justamente contra aqueles que o elegeu, como os trabalhadores e os servidores públicos, ao mesmo tempo em que isenta o setor financeiro dos impactos da crise. “O governo perdeu sua capacidade de articular o congresso e a base social que o elegeu. Hoje, quem sustenta este governo é o sistema financeiro.”, denunciou.