APOs são função transversal, e como tal devem ser distribuídos

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A carreira de Planejamento e Orçamento é transversal, e isso traduz bem o seu grande valor. Os Analistas de Planejamento e Orçamento são profissionais de Estado capacitados a atuar em uma diversidade de áreas de governo. Por isso, é necessário facilitar e até mesmo estimular que os APOs tenham maiores possibilidades de movimentação pela Esplanada dos Ministérios.

Hoje, há uma concentração de APOs nos Órgãos Centrais de Planejamento e Orçamento, notadamente a Secretaria de Orçamento Federal (SOF), enquanto alguns ministérios têm necessidade de APOs para realizar suas próprias atividades de planejamento e orçamento. Este tipo de problema mostra que pode haver um descasamento entre a alta importância da função do APO e as necessidades do Estado.

Nossa carreira é uma função considerada como “típica de Estado” exatamente por sua importância transversal. Mas para além de um reconhecimento do nosso valor, isso significa que nós, APOs, temos uma obrigação para com o Estado, e não apenas para com uma parte dele. É correto que os Órgãos Centrais tenham uma concentração destes profissionais, por razões que dispensam explicação, mas não a ponto de fazer faltar nos demais órgãos da administração federal.

Chamamos a que a SOF ou a Secretaria Executiva do Ministério do Planejamento e Orçamento tenham um olhar sensível para a inserção do APO na administração direta, via ministérios e outros possíveis órgãos onde possamos ser necessários. Muitas vezes, é também do interesse do servidor que essa mobilidade lhe seja possibilitada, e isto é uma demanda tão legítima quanto a dos órgãos federais por profissionais de planejamento e orçamento.

Felizmente, temos uma nova leva de APOs recém concursados, e sugere-se aos gestores da carreira que façam com que esses novos servidores se integrem à carreira exatamente onde está o coração do trabalho do APO, o próprio Ministério do Planejamento e Orçamento. Ao mesmo tempo, que se faça a devida movimentação dos demais servidores interessados e necessários nos órgãos setoriais de Planejamento e Orçamento.

Por outro lado, o problema também reforça a impressão de muitos sobre a necessidade de mais profissionais APO no Executivo federal. Não custa lembrar que nossa carreira tem um alto nível de evasão (via concursos prestados por APOs para outras carreiras), e que sendo assim, dificultar a mobilidade do APO veterano pode ser contraproducente.

Acreditamos que os gestores da carreira saberão cultivar uma sensibilidade especial para esta questão, o que poderá representar um benefício expressivo tanto para profissionais de planejamento e orçamento como, também, e principalmente, para a administração pública