Copom vê espaço para corte maior do juro, mas adia decisão

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A avaliação dos membros do Comitê de
Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) é que a
melhora nas projeções de inflação, especialmente no cenário de mercado,
sugere que pode haver mais espaço para a flexibilização das condições
monetárias do que o percebido anteriormente.
As informações constam da ata, divulgada nesta terça­feira, da reunião
ocorrida na semana passada. Na ocasião, se decidiu por uma redução de 0,25
ponto na Selic, atualmente fixada em 13,75% ao ano.
O comitê destacou a redução nas suas projeções internas para inflação de
2017 e 2018. Conforme já publicado na semana passada, a inflação é
projetada em 6,6% para 2016 nos cenários de referência e mercado e é
prevista para ficar, respectivamente, em 4,4% e 4,7% em 2017 e em 3,6% e
4,6% em 2018.
“As projeções para ambos os anos melhoraram, especialmente no cenário de
mercado. Isso sugere que pode haver mais espaço para flexibilização das
condições monetárias do que o percebido anteriormente”, diz o documento.
O colegiado reitera que o ritmo de flexibilização será conduzido levando em
conta suas projeções de inflação e fatores determinantes para cumprir as
metas de 2017 e 2018. “O Comitê avalia que atualmente não há
incompatibilidade entre esses dois objetivos.”
“O risco palpável de que não ocorra uma retomada oportuna da atividade
econômica deve permitir intensificação no ritmo de flexibilização monetária”,
aponta o Copom no documento.
O efeito da fraca atividade sobre a inflação foi um ponto central tanto nas
discussões entre os membros do colegiado quanto na mensagem principal de
política monetária do BC.
Nas discussões de política monetária, a ata informou que todos os membros
do Copom concordaram que, após indicadores referentes ao mês de agosto, a
economia seguiu mostrando sinais de fraqueza. “Estatísticas referentes a
setembro e indicadores disponíveis para outubro e novembro não mostraram
reversão que seria razoável esperar caso estivéssemos diante de oscilações
naturais da atividade econômica em torno de momentos de estabilização”,
afirmou o documento.
A conclusão do colegiado é que “isso aumenta a probabilidade de que a
retomada da atividade econômica seja mais demorada e gradual que a
antecipada previamente”.
O Copom chegou a discutir um corte mais intenso da Selic na reunião
realizada na semana passada, segundo a ata do encontro, divulgada nesta
terça­feira. Mesmo os integrantes do colegiado que se opuseram a um corte
maior que o 0,25 ponto percentual decidido indicaram que era “razoável
esperar uma intensificação do processo de flexibilização monetária caso a
atividade econômica não dê sinais mais claros de retomada, posto que, nesse
caso, as projeções de inflação devem se reduzir”.
A ala do Copom mais favorável ao afrouxamento da política monetária  — que
o documento não esclarece quantos dos nove membros fazem parte dela —
defendeu um corte maior da Selic desde já, levando em conta “a evolução
favorável da inflação no período recente, os passos positivos no processo de
aprovação das primeiras reformas fiscais e a piora nas perspectivas de
recuperação da atividade econômica”.
Já a ala menos inclinada ao afrouxamento monetário adotou uma postura
cautelosa, argumentando que “a evolução de alguns componentes da inflação
mais sensíveis à atividade econômica e à política monetária continuava
indicando pausa, na margem”. Esses integrantes mais conservadores do
comitê também citaram “que as incertezas quanto ao possível fim do cenário
externo benigno para economias emergentes deveriam diminuir até a reunião
do Copom em janeiro”. 
No fim dos debates dentro do comitê, diz a ata, “formou­se um consenso em
aguardar até a próxima reunião”, que acontece nos dias 10 e 11 de janeiro de
2017.

Reformas

Todos os participantes do Copom reconheceram os avanços e os esforços
para aprovação e implementação dos ajustes necessários na economia,
notadamente no que diz respeito a reformas fiscais.
“Os membros do Comitê enfatizaram que esses esforços são fundamentais
para a estabilização e o desenvolvimento da economia brasileira. O Comitê
deve acompanhar atentamente esses esforços, uma vez que têm reflexos
importantes no processo de desinflação”, descreveu o documento referente
ao encontro do Copom na semana passada, que reduziu a taxa Selic em 0,25
ponto percentual, para 13,75% ao ano.
As reformas, no entanto, seguem entre os riscos à concretização de um
quadro mais favorável para inflação, já que esse é um “processo é longo e
envolve incertezas”. O colegiado reforçou, ainda, que “a redução da incerteza
potencializaria os efeitos da política monetária, reduzindo os custos do
processo desinflacionário ora em curso”.