CAF lança relatório de economia e de desenvolvimento da América Latina 2016

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A América Latina precisa investir na formação de capital humano. Todas as dimensões de atraso relativo da região – crescimento lento do Produto Interno Bruto (PIB), baixa produtividade dos trabalhadores, altos níveis de violência, baixa qualidade habitacional, entre outros – estão vinculados à deficiência de investimentos.
 
 
Foto:Gleice Mere/Ministério do Planejamento 
 
Esta é a conclusão do relatório de economia e de desenvolvimento 2016 do Banco de Desenvolvimento da América Latina (CAF), lançado na quarta-feira (16), em Brasília. O relatório, apresentado durante evento conjunto com a Secretaria de Assuntos Internacionais do Ministério do Planejamento, Desenvolvimento e Gestão (Seain/MP), é um indicador da situação da América Latina do ponto de vista do capital humano.
 
Segundo Jorge Arbache, secretário da Seain/MP, informe recente da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) relata que mais de 50% do estoque de capital das mil maiores empresas da região da Organização é composto por capital não físico.
 
“Isso nos remete às características mais relevantes para indicar o que é e o que será o século XXI: a explosiva importância do capital humano para a geração de valor, de renda, das condições necessárias para que países e empresas, família e pessoas possam ter mais renda e melhores empregos”, explicou.
 
O relatório do CAF – intitulado “Mais habilidades para o trabalho e a vida: As contribuições da família, da escola, do ambiente e do mundo laboral” –aponta a família, a escola, o ambiente e o trabalho como fatores que influenciam diretamente no desenvolvimento das habilidades para o trabalho e para a vida de um indivíduo. Este, por sua vez, é o capital humano do desenvolvimento da América Latina.
 
PREOCUPAÇÕES

De acordo com Pablo Sanguinetti, diretor de Análise Econômica e Conhecimento para o Desenvolvimento do CAF, algumas informações preocupantes influenciam no desenvolvimento das crianças na América Latina. Cerca de 56% não têm livros em casa; 78% não recebem uma dieta balanceada; 53% são expostas a castigos físicos ou verbais; e apenas duas de cada cinco crianças, nas zonas rurais, visitam um pediatra anualmente. 
 
O estudo aponta que para se reverter o quadro de déficit na formação de capital humano na América Latina é preciso desenvolver políticas públicas para formar habilidades cognitivas, socioemocionais e físicas da população dentro dos quatro âmbitos mencionados.
 
Na família é preciso reduzir as barreiras de tempo, qualitativa e quantitativa, assim como financeira e de conhecimentos sobre a educação.
 
Na escola é preciso incentivar os talentos docentes e ampliar as condições tecnológicas e atividades extracurriculares. No ambiente há necessidade de melhoria da qualidade dos espaços públicos de forma que proporcionem lazer para as famílias, entre outros. No mundo laboral é preciso melhorar a qualidade das possibilidades de emprego para os jovens.
 
Há necessidade, também, de fomentar o diálogo entre instituições que coordenam as políticas públicas no âmbito educacional, da saúde, do desenvolvimento social, do trabalho, do desenvolvimento de infraestrutura, entre outros.