Servidores do Judiciário pressionam Executivo por reajuste salarial

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Servidores do Judiciário garantem que não vão desistir do reajuste salarial aprovado pelo Senado, entre 53% e 78%. Segundo o coordenador-geral do sindicato da categoria (Sindijus/DF), José Júnior Alves, os trabalhadores estão unidos como a muito tempo não se via. Mas a intenção não é ir para o confronto direto com o Executivo, nesse momento de fragilidade do governo. “Queremos conscientizar a presidente Dilma Rousseff e a população brasileira de que os trabalhadores estão há nove anos perdendo o poder de compra e que não vamos permitir mais essa ingerência indevida entre os poderes”.

A intenção é pressionar a presidente a sancionar o projeto (PLC 28/2014), apesar de a equipe econômica já ter declarado reiteradamente que ela vai vetar, porque o país passa por um momento delicado de ajuste fiscal das contas públicas. “Vamos trabalhar junto ao Congresso e pedir aos parlamentares que derrubem o veto”, afirmou Júnior, ao contar que o sindicato já tinha uma lista com mais de 300 assinaturas de deputados e cerca de 50 senadores em favor da derrubada do veto.

De acordo com o líder sindical, os percentuais apontados pelo governo são “mentirosos” e não se podem ser interpretados como um mero aumento de salário. “É a recomposição das perdas inflacionárias”, explicou Júnior. Ele disse também que o pessoal do Judiciário não é insensível e entende a situação da crise brasileira. “Já demos grande contribuição ao ajuste. O projeto aponta que a reposição será em seis parcelas. Será dividido para reduzir o peso nas despesas”, destacou.

Júnior reforçou também que os números apresentados pelo governo não são verdadeiros. O Ministério do Planejamento (MPOG) divulgou, em várias ocasiões, que o impacto do aumento para o Judiciário será de R$ 25,7 bilhões – R$ 1,5 bilhão apenas em 2015. “A conta não faz sentido. O MPOG considerou todo o valor da folha e não o peso efetivo por ano. Na verdade, o impacto será de R$ 10,5 bilhões. É isso que vai custar o reajuste médio de 56% para a categoria”, assinalou.

Os servidores continuam em greve. O Sindijus intensificou os piquetes nos locais de trabalho, às vésperas do prazo para a presidente Dilma decidir por sancionar ou vetar o projeto, que se encerra em 21 de julho. Os trabalhadores fazem passeatas, com roupas pretas, faixas, cartazes, apitos, bandeiras, vuvuzelas e todo o tipo de aparato para chamar a atenção da equipe econômica e dos parlamentares.