Relator diz que é ‘esdrúxulo’ não votar reforma política em comissão

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O relator da proposta de reforma politica na comissão especial que analisa o tema, deputado Marcelo Castro (PMDB-PI), afirmou nesta segunda-feira (25) que é “esdrúxula” a decisão de o texto ser votado diretamente no plenário da Câmara, sem ser antes ser votado na própria comissão.

Líderes partidários se reuniram nesta segunda e defenderam que o texto vá diretamente para o plenário. De acordo com o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), a decisão deverá ser ratificada em um novo encontro de líderes iniciado no começo da noite.

A ida do texto para o plenário sem votação na comissão seria uma maneira de facilitar alterações na proposta, que já foi criticada pelo próprio Cunha.

Ao G1, o deputado Marcelo Castro (PMDB-PI) disse ainda que nunca viu na história da Casa “uma comissão ser impedida de votar seu relatório”.

“É uma decisão esdrúxula, inusitada, que nunca aconteceu na Casa, de uma comissão ser impedida de votar seu relatório que está pronto para votar há mais de 20 dias, para atender uma determinação do presidente da Casa, Eduardo Cunha. É uma coisa desrespeitosa, uma desconsideração com um trabalho que foi feito por 68 membros da comissão e que fizeram um trabalho coerente e exaustivo. Esse relatório, por não agradar o interesse de A, B ou C, foi impedido de ser votado”, afirmou Castro.

Ao chegar à Câmara no início da noite desta segunda, pouco antes de começar a reunião dos líderes, Cunha voltou a criticar o relatório de Castro.

“A comissão tem uma representatividade que não expressa a proporcionalidade do plenário. Segundo ponto é que o relatório feito em dissonância com aquilo que se acordou a votar, dificulta regimentalmente você cumprir o acordado com os líderes”, afirmou.

‘Comissão esfaqueada’
O líder do Psol, Chico Alencar (Psol), que participa da comissão da reforma política, afirmou por meio de nota que a decisão de votar o relatório diretamente no plenário é uma “ofensa ao rito parlamentar”. A nota diz ainda que a comissão foi “esfaqueada”.

“Trata-se de uma ofensa ao rito parlamentar e um absoluto desrespeito aos seus integrantes. Mais uma vez a vontade imperial do presidente Eduardo Cunha, seguida servilmente por aliados, sobrepõe-se aos procedimentos democráticos costumeiros”, diz Alencar no texto.

Ele também afirmou que o Psol não foi consultado sobre levar o relatório diretamente ao plenário.

“Na Comissão, “explicam” que a extinção da Comissão foi “decisão dos líderes”. O do PSOL seguramente não foi consultado e não compactuaria com este golpe.”