‘Desordem nas contas públicas agora pede sacrifícios’, diz Alexandre Garcia

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É uma conta difícil de fechar. Tem que fazer os cortes, mas não pode parar o governo. E ainda tem os programas sociais. Em uma sondagem econômica feita pela Fundação Getúlio Vargas entre onze países da américa latina, só a Venezuela está pior que o Brasil. Estamos em 10º lugar, depois da Argentina e Equador. A incerteza política e o desequilíbrio fiscal são as causas principais do encolhimento das vendas, da produção e do emprego.

A reunião é mais uma etapa de ajuste por dentro do governo, na busca de um ajuste nas contas pública, com base no fato de que o orçamento não é impositivo. Não significa, portanto, que é obrigatório fazer as despesas que lá estão, aprovadas pelo Congresso.

No Congresso, sob o ponto de vista fiscal, houve avanço, com as restrições de benefícios sociais e recuos, como a derrubada, na Câmara, do fator previdenciário. A curto prazo, o fiscal fica mais forte que o social, mas se não acertar o social, o fiscal mais tarde vai ter as consequências.

A desordem nas contas públicas agora pede sacrifícios. Se não cumprir meta de superávit fiscal, o Brasil perde o carimbo de bom pagador, paga mais juros e perde capitais e empregos. E perder empregos já deve estar dando um frio na espinha do governo.

A população pode não se preocupar – porque não entende – com contas públicas desajustadas, mas entende de emprego, de valor de salário, de tamanho de imposto. Para convencer os sacrificados a aceitar cortes, o governo precisa demonstrar que também pode cortar no seu gigantismo, aliás também causa dos desajustes.