Mesmo com eleições, governo adotará superávit primário mais robusto

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Integrantes do governo admitem que a condução da política econômica passa por uma crise de credibilidade, mas, segundo essas fontes, a presidente Dilma Rousseff está decidida a manter no cargo o ministro da Fazenda, Guido Mantega, apesar de pressões vindas do PT para substitui-lo. A ordem é adotar todas as medidas para melhorar a percepção negativa do mercado, mesmo que implique medidas mais duras no ano eleitoral. O próximo passo nesse processo é o anúncio de uma meta de superávit primário robusta e factível, que permita o cumprimento sem malabarismo contábil, apenas com corte de gastos. A meta deve ficar entre 2% e 2,5% do Produto Interno Bruto (PIB), segundo uma fonte da área econômica.
— Não precisa ser uma meta grande, de 3% do PIB, mas 2,5% ou menos — disse um integrante da equipe econômica.

Há dentro do governo uma avaliação de que o anúncio de uma meta factível pode transmitir um sinal positivo ao mercado, mas não será suficiente para inverter a crise de desconfiança.

— Um bom anúncio é só o começo. A credibilidade só virá mesmo com o resultado das contas públicas — disse uma fonte.

Uma das preocupações do governo é o fato de que as agências de classificação de risco estão de olho nas contas públicas brasileiras e ameaçam rebaixar a nota do país. Além disso, há uma piora no cenário internacional que afeta os emergentes, causado pela redução dos estímulos à economia americana e menor crescimento da China.

Vice do BB na Fazenda

Nesse movimento de melhorar a credibilidade do governo com o mercado, o vice-presidente de Atacado, Mercado de Capitais e Área Internacional do Banco do Brasil (BB), Paulo Rogério Caffarelli, vai assumir a secretaria-executiva do Ministério da Fazenda.

O cargo estava vago desde maio do ano passado, com a saída de Nelson Barbosa. Funcionário de carreira do BB, ele tem interlocução com o empresariado e com os investidores, inclusive estrangeiros. Participou da formatação dos modelos de concessão na área de infraestrutura e foi o interlocutor do governo junto aos bancos privados em todo o processo.

A Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2014 projeta o esforço fiscal do setor público em 2014 em R$ 109,36 bilhões, ou 2,09% do PIB (conjunto de bens e serviços produzidos no país). Deste total, R$ 58,072 bilhões (1,1% do PIB) cabem à União e R$ 51,3 bilhões (0,98% do PIB) a estados e municípios. O novo valor do primário ainda está sendo fechado pelos técnicos. Em 2013, o superávit consolidado do governo ficou em 1,9%. Colaborou Cristiane Jungblut