País tem o pior resultado do G-20 no terceiro trimestre

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Com queda de 0,5% no PIB (Produto Interno Bruto, soma de todos os bens e serviços finais produzidos no país), o Brasil teve, no terceiro trimestre, o pior desempenho entre os países do G-20, grupo das 20 maiores economias do mundo, segundo relatório divulgado ontem pela Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE). O texto destaca que foi a primeira retração na economia brasileira desde os três meses iniciais de 2009 e que o resultado pode “em parte” refletir o crescimento “impressionante” de 1,8% nos três meses anteriores.

Na média, os países do G-20 cresceram 0,9% no terceiro trimestre, após avançar 0,8% no período anterior. O índice foi puxado por China (2,2%), índia (1,9%), Indonésia (1,3%) e Coreia (1,1%). Estados Unidos e Turquia ficaram em linha com a média (0,9%) de crescimento dos países do G-20. México (0,8%), Reino Unido (0,8%) e Canadá (0,7%), um pouco abaixo.

Enquanto o resultado do Brasil representou recuo em relação ao período anterior, EUA, Reino Unido e Canadá melhoraram, pois de abril a junho haviam se expandido 0,6%, 0,7% e 0,4%, respectivamente. Entre os emergentes, a China tinha crescido 1,9% e a índia teve retomada mais vigorosa, pois nos três meses anteriores havia avançado 1%.

PROJEÇÕES REVISADAS PARA BAIXO

Na direção oposta à do Brasil, o México saiu de uma contração de 0,5% para expansão de 0,8%. Indonésia (1,3%) e Coreia (1,1%) mantiveram no terceiro trimestre as taxas registradas no segundo. Apenas a França, além do Brasil, contabilizou retração da economia, de 0,1%. A Itália ficou estagnada. Os resultados da Argentina não foram divulgados.

Na comparação com o terceiro trimestre do ano passado, o resultado do Brasil foi melhor: a economia avançou 2,2%. Mesmo nesta ótica, porém, o país continua atrás da média do G-20, que teve incremento de 2,9%. Enquanto isso, outros emergentes registraram índices ainda mais altos contra o terceiro trimestre de 2012, superando a média do G-20: Turquia (4,7%), índia (5,3%), Indonésia (5,6%) e China (7,8%).

O fraco desempenho da economia brasileira foi atribuído pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, à escassez no financiamento do consumo e ao cenário global ainda desfavorável, que “rouba parte da nossa possibilidade de crescimento”. O ministro disse, anteontem, que o país está crescendo “com duas pernas mancas”.

Após os resultados decepcionantes do terceiro trimestre, economistas das principais instituições financeiras reduziram a estimativa da expansão do PIB em 2013, de 2,5% para 2,35%.

ORÇAMENTO PREVÊ ALTA DE 4% EM 2014

Ainda assim, a perspectiva oficial do governo para o crescimento no ano que vem é muito positiva. A proposta de Orçamento para 2014 prevê expansão de 4%. Para os analistas, segundo o boletim Focus, do Banco Central, a taxa de crescimento deve ficar em 2,1%. Técnicos da consultoria de Orçamento da Câmara dos Deputados explicam que o governo indica uma projeção de crescimento alto a fim de mostrar otimismo e justificar a alta estimada nas receitas.