Privatização: Mais três rodovias são leiloadas

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Empresa leva 1,17 mil quilômetros de 3 estradas de Goiás, Minas e DF e investirá R$ 7,15 bi em 30 anos

Autor(es): Lino Rodrigues Roberta Scrivano

-São Paulo- Com um deságio de 52% em relação ao teto de pedágio estabelecido pelo governo, a Triunfo Participações e Investimentos venceu o leilão de privatização das BRs-060, 153 e 262, realizado ontem na BM&F Bovespa, em São Paulo. A Triunfo havia disputado os outros dois leilões de rodovias realizados pelo governo este ano — da BR-050 (GO/MG), em setembro, e da BR-163 (MT), semana passada — e, em ambos, ofertou o segundo maior lance.

O deságio de 52% foi o mesmo que determinou o vencedor do último leilão de rodovia, a Odebrecht TransPort, que levou trecho da BR-163.

O teto estabelecido pelo governo para as tarifas de pedágio do trecho leiloado ontem era de R$ 0,0594 por quilômetro e a Triunfo ofereceu R$ 0,02851 por quilômetro, batendo a Invepar, cujo lance fora de R$ 0,03437, com deságio de 42,13%. O leilão, ontem, durou pouco mais de sete minutos.

Logo depois da vitória, o presidente da Triunfo, Cario Bot-tarelli, afirmou que a empresa participará de outros leilões de rodovias e frisou que as alterações feitas pelo governo nos editais deixaram as concessões no setor mais atrativas.

— O ministro (dos Transportes) Cesar Borges e sua equipe nos ouviram. O nosso lance foi completamente consciente. Nós acreditamos no país — disse o executivo, que descartou antecipar obras para começar a cobrar pedágio antes de outubro de 2015.

A concessão terá duração de 30 anos, e a Triunfo administrará um trecho de 1.176 quilômetros, passando por 47 cidades. Serão 630,2 quilômetros nas rodovias BR-060 e 153 (entre o Distrito Federal até a divisa dos estados de Minas Gerais e São Paulo) e outros 546,3 quilômetros, desde a BR-381, em Betim (MG), até a BR-153, no Triângulo Mineiro.

A cobrança de pedágio só poderá começar depois da execução de 10% da duplicação de 647 quilômetros — os trechos licitados já têm 528,7 quilômetros com pistas duplas. Segundo o edital, isso só deve acontecer em outubro de 2015. Os investimentos que devem ser realizados ao longo dos 30 anos de concessão somam R$ 7,15 bilhões, sendo R$ 3,98 milhões até o quinto ano. A receita com pedágios projetada para os 30 anos da concessão chega a R$ 22,96 bilhões.

A Triunfo foi uma das primeiras empresas a assumir a concessão de uma rodovia no país, em 1995, e atualmente já administra três concessionárias.

O ministro dos Transportes, Cesar Borges, comemorou o resultado:

— O lance vem em benefício da modicidade tarifária.

Borges disse esperar a mesma concorrência nos próximos dois leilões de rodovias que serão realizados ainda este mês: no dia 17, o do trecho da BR-163 no Mato Grosso do Sul; e, no dia 27, da BR-040, entre Brasília e Juiz de Fora, em Minas Gerais.

AÇÕES DA EMPRESA CAEM 4%

As ações ordinárias da Triunfo Participações passaram a se desvalorizar após o leilão. Os papéis abriram a sessão com estabilidade, cotados a R$ 10. No fim da sessão, fecharam negociados a R$ 9,67, uma desvalorização de 4%. Para o analis-
ta Renato Hallgren, da BB Investimentos, o deságio de 52% sobre a tarifa teto foi alto, acima da expectativa do analista, de 40%.

— Porém, consideramos positivo o fato de a Triunfo acrescentar mais uma concessão de rodovias ao seu portfólio, uma vez que o prazo médio restante de suas três concessões rodoviárias era de apenas oito anos — disse o analista.