Rentabilidade dos bancos não foi afetada

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A mudança na forma como os bancos estão ganhando dinheiro é estrutural, na visão de analistas. As instituições começaram a mudar suas carteiras de crédito ao perceber que o risco de algumas operações não compensava o retorno e a aumentar os ganhos com serviços. Mesmo o Banco do Brasil, que tem concedido mais crédito que seus pares privados, começou a colocar o pé no acelerador e a conceder crédito mais selecionado. Com isso, os índices de inadimplência caíram, além do controle com as despesas com provisões para devedores duvidosos, que afetam diretamente o resultado.

“A rentabilidade dos bancos não foi tão afetada”, diz o analista Luís Santacreu da Austin Rating. Um dos bancos com melhores índices é o Itaú, em torno de 20%. O presidente do banco, Roberto Setúbal, disse na reunião anual com analistas que entende que essas rentabilidades ainda devem durar por mais alguns períodos. O banco teve os melhores lucros registrados neste ano, acima de R$11 bilhões. O Banco do Brasil teve um lucro de R$ 12 bilhões, mas inflado pela abertura de capital da BB Seguridade. No terceiro trimestre, o banco teve uma queda no lucro, de menos de 1%, que só não foi maior por causa de uma reversão de provisão que teve um efeito líquido de R$ 512 milhões.

O analista Carlos Macedo, do Goldman Sachs, diz que o Itaú está se destacando porque foi o primeiro banco a perceber a mudança estrutural que precisava fazer e tomou medidas para reduzir inadimplência e mudar o mix da carteira de crédito.

O Santander está ainda na lanterna, com queda de lucro e índices de rentabilidade menores. Parte disso, se deve ao elevado índice capital, mas o banco também foi o último a iniciar a mudança de carteira de crédito, segundo Macedo.