Orçamento limitado

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Apesar de os servidores federais prometerem, para o ano que vem, uma greve nos moldes da ocorrida em 2012 — quando 80 mil pessoas cruzaram os braços —, o governo não parece disposto a reservar um novo espaço nos cofres para reajustar os salários além dos 5% já acordados com a presidente Dilma Rousseff. Para o analista em planejamento e orçamento Fabiano Core, assessor da Secretaria de Orçamento Federal (SOF), o fraco crescimento da economia e das receitas neste ano impossibilitam um aumento real para os funcionários públicos.

Com o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) estimado em 2,5% para este ano, Core afirmou que a insistência do governo em continuar indexando o salário dos servidores à inflação passada significa um “perigo enorme” ao orçamento. “Como começar a reajustar salários acima da inflação ou a título de reposição dela com um PIB tão pequeno e com a produtividade crescendo pouco? É preciso olhar para a frente, apostando em um inflação futura menor. Não dá para recuperar perdas”, explicou ele durante seminário da Associação Nacional dos Servidores da Carreira de Planejamento e Orçamento.

Ameaça de greve
Core ponderou, contudo, que uma greve nas proporções da ocorrida em 2012 pressiona — e muito — o governo, por afetar setores que atendem diretamente o cidadão, como saúde e educação. “Neste momento, há um ponto a favor dos grevistas, o período pré-eleitoral. Porém, é importante ressaltar que um novo aumento real aos servidores não cabe no orçamento”, pontuou.

O novo secretário da SOF, José Roberto Fernandes, comentou que, pessoalmente, acredita em uma forma de elaborar o orçamento diferente da que ocorre hoje. “Há experiências de países vizinhos interessantes, especialmente o Chile, mas não só ele, como a utilização de instrumentos de médio prazo, planejar os investimentos com uma certa antecedência, imaginar quais são os investimentos trarão maior produtividade para o Brasil. Dentro do governo, isso é uma discussão ainda não finalizada”, afirmou.