Governo quer força total nas obras da Copa

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O governo federal vai realizar uma ofensiva para concluir 1,6 mil obras de turismo para a Copa do Mundo de 2014. Os dados, obtidos pelo Estado, serão divulgados hoje pelo Ministério do Turismo. A ideia é mostrar que esse “legado”, ao ficar pronto, vai comprovar que a atuação do governo em relação ao grande evento vai além da mera construção de arenas esportivas.

A ordem é que essas obras, que incluem pavimentação de estradas, sinalização de destinos turísticos e centros de convenções, recebam atenção total nos próximos nove meses. Desse volume de empreendimentos, cerca de 900 estão em estágio avançado, e outros 700 têm o sinal de alerta ligado no cronograma.

Ao todo, o Ministério do Turismo tem 5.163 obras em andamento, que consomem um orçamento de R$ 2,15 bilhões – o equivalente a 80% de tudo o que a pasta têm.

Segundo o ministro do Turismo, Gastão Vieira, a própria presidente Dilma Rousseff deve participar das cerimônias de inauguração dos principais empreendimentos, como o Centro de Eventos de João Pessoa (PB), programado para ficar pronto em maio do ano que vem. “Precisamos romper com um ciclo vicioso de ineficiência no gasto com o turismo/è a presença do governo federal será crucial para demonstrar que esses investimentos podem acelerar a economia da região”, disse Vieira.

“Há locais como Pipa (RN), Jericoacoara (CE) ou Lençóis Maranhenses, por exemplo, que são maravilhosos destinos turísticos, mas têm infraestrutura precária, e isso aumenta o custo para o turista”, afirmou, Entre os Estados, São Paulo é o que tem o maior volume de intervenções federais em andamento (são 724 obras), que correspondem a R$ 563,7 milhão.

Mas o melhor índice de desempenho fica com o segundo colocado, o Ceará, que tem 398 obras em andamento (num total de R$ 273,4 milhões em investimentos), e apenas 1,1% delas estão atrasadas.

Quase 90% de todas as obras tocadas pelo Ministério do Turismo são propostas de emendas parlamentares. Segundo Vieira, a pasta tem ainda cerca de R$ 500 milhões parados, que podem irrigar empreendimentos de infraestrutura nos municípios. O dinheiro ficará no caixa do Ministério do Turismo até junho de 2014, quando retornará ao cofre do Tesouro Nacional caso as prefeituras não se habilitem a tomar f esses recursos. “Basta ao prefeito resolver pendências na Caixa, e o dinheiro estará liberado”, afirmou o ministro.

Oportunidade. Segundo o governo, há uma janela de oportunidade aberta neste momento para o investimento em turismo. A explosão da taxa de câmbio encarece as viagens internacionais, e acaba tornando o turismo pelo Brasil mais competitivo. Ao mesmo tempo, todas as atenções estão voltadas para cá, graças à realização da Copa do Mundo de 2014 e dos Jogos Olímpicos no Rio, em 2016. “É hora de as companhias aéreas ampliarem linhas, os hotéis baixarem suas tarifas e as prefeituras aplicaremos recursos que estão à disposição em obras simples, cujo impacto no turismo é imediato”, disse o ministro.

PARA ENTENDER
A ofensiva do governo para concluir as obras de turismo relacionadas à Copa do Mundo de 2014 visa evitar críticas sobre o legado do evento para o País. Em janeiro de 2010, a então ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, anunciou que o governo se comprometia em terminar 61 obras até o início do torneio, nas áreas de mobilidade urbana, portos e aeroportos. Era a infraestrutura que ficaria para a população, em consequência do País sediar o torneio de futebol, descrita tecnicamente como matriz de responsabilidades.

Depois disso, o número de obras subiu para 82, mas em janeiro deste ano o “Estado” mostrou que apenas três mantinham cronograma e orçamento iniciais. Nada menos que 21 empreendimentos foram retirados do compromisso, 25 tiveram o orçamento alterado e os demais 33 experimentaram ao menos mudança no prazo de conclusão.