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Sou Assecor: Conheça Affonsa, uma das pioneiras da carreira do Planejamento e Orçamento

Presidente da Assecor de 1988 à 1994, Affonsa de Ligório de Oliveira foi precursora da carreira de Planejamento e Orçamento. Mineira e moradora da capital federal desde 1970, ela relembra os tempos de mobilização para criar o que hoje seria a Assecor, da qual tem muito orgulho.


Conheça Affonsa, a primeira mulher a presidir a Assecor.


Quando começou sua história na Assecor?

Moro em Brasília desde 1970 e em 1978 entrei no serviço público. 10 anos depois foi criada a carreira Orçamento e a de Controle Interno por meio de decreto. A gente sempre diz que essas carreiras são co-irmãs. Antes mesmo de sair o decreto a gente estava formatando a ideia de uma Associação. Assim que saiu o decreto, começamos a mobilizar a criação dessa identidade como Carreira de Estado e nós sentimos que deveríamos ter uma entidade que nos representasse junto ao Executivo. Com isso, formaram-se duas chapas, à época, todos com mesmo intuito. No final, a nossa chapa foi a vencedora e foi aí que começamos o trabalho de cadastrar os associados. Foi um momento de muita luta.


Quais conquistas obteve na época? E os desafios?

As correções salariais que eram bem generosas, a gente buscava sempre equiparar o nosso salário ao da receita federal, tendo em vista que também somos uma Carreira de Estado. Nós conseguimos a informatização dos processos, no começo era tudo manual. Brigamos muito para que isso fosse melhorado.

A gente brigou, também, para que a carreira tivesse a atenção dos demais servidores públicos para a questão do orçamento, fazendo cursos de formação para eles. Foi um período muito rico. Naquele momento, os diretores da SOF participavam ativamente dos movimentos que a Assecor fazia.

A gente sempre tratou o orçamento como uma peça de segurança de Estado. E como tal, deve ser encarado nos dias de hoje também. Outra conquista foi a sede da Assecor, que conquistamos juntos. É um orgulho para mim ter sido fundadora da Assecor com a participação de muitos outros.


Quais os desafios que a Assecor terá daqui para frente?

As dificuldades que a nova gestão vai enfrentar são bem maiores do que as nossas. Porque quando começamos, o serviço público não era o que é hoje. Hoje em dia, as autoridades não vêm o orçamento e o setor público como viam antigamente. Isso enfraqueceu as entidades representativas. Quem está assumindo a entidade agora tem uma série de barreiras. A disposição de luta deve ser cada vez mais valorizada.

A sociedade tem que reconhecer que o orçamento é peça fundamental de qualquer governo e para isso é preciso que os servidores da carreira se posicionem como tal, mostrem a que vieram. A excelência do serviço público perpassa pelo trabalho do servidor.

E agora, com a Reforma da Previdência, o servidores vão ficar amedrontados. Porque trabalhar até os 65 ou 70 anos de idade, é dizer que você vai sair daqui e ser sepultado amanhã. Você trabalha na expectativa de aposentar pra você ter pelo menos uns 10 a 15 anos para viver o restante da vida. Assim como o trabalhador rural também precisa, por exemplo.


Qual a importância da Assecor frente ao ataque ao serviço público, feito por setores da sociedade que acreditam que somos privilegiados?

O servidor público não é responsável pelas mazelas do serviço público. Nós, do orçamento, trabalhamos para que o governo tenha o norteamento do que ele vai fazer na sua gestão com relação ao planejamento e orçamento.

A sociedade só vê o produto final, e geralmente o que chega para a sociedade é que somos bem remunerados pelo o que fazemos, mas não veem o sacríficio que o servidor faz, assim como tantos trabalhadores de outras áreas, a exemplo da iniciativa privada. A sociedade não vê que o servidor do orçamento trabalha para que o recurso chegue para um prefeito que está no interior do país, cuidando da educação de um filho do trabalhador rural, por exemplo. Trabalhamos para isso. Outra coisa, muitos não sabem, mas nosso Imposto de Renda é descontado direto na fonte, nossa taxa é alta. A gente precisa mostrar pra sociedade que não somos vilões da previdência social. Nós contribuímos com o teto do nosso salário. O trabalhador da iniciativa privada contribui com o teto da previdência social. O servidor, mesmo aposentado, continua contribuindo para a previdência social.

Estamos no mês das mulheres e atualmente a Assecor tem, novamente, uma servidora a frente da entidade, como na sua gestão. Qual a importância de ter mulheres nos cargos de direção no serviço público?

Eu sempre defendi a questão da mulher ocupar cargos. Em termos de conhecimento, as mulheres não são inferiores ao homem. Temos a mesma capacidade.

Em todos os fatos de corrupção no Brasil, são raríssimos os nomes de mulheres. O atual governo deve olhar com mais cuidado a questão da participação feminina com o destino da nação. De ter mais mulheres participando, trazendo suas ideias, seus valores, seus conhecimento para ajudar na construção desse país.

Vejo na periferias, quantas mulheres aguerridas, assumem a direção dos lares e o comando deles. Nós não queremos competir com homens, apenas ter igualdade reconhecidas. Nós somos a maioria das eleitoras no Brasil.

Vejo com muito bons olhos a Roseli estar a frente da Assecor, sei que ela é uma mulher ativa, guerreira, aguerrida. Já a encontrei em marchas em Brasília. Temos mais ou menos o mesmo espírito de defesa das minorias, que são maiorias sociais, e precisam ter voz. A Roseli não pode ficar enclausurada dentro das salas da Assecor. Desejo toda a sorte e estou aqui para ajudá-la no que for possível.

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