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APO é contemplada no Programa Marielle Franco de Aceleração do Desenvolvimento de Lideranças Femininas Negras

APO Clara Marinho foi selecionada e contemplada no Programa Marielle Franco de Aceleração do Desenvolvimento de Lideranças Femininas Negras com o projeto “Construindo a liderança na administração pública federal”. O intuito do projeto é o de fomentar as lideranças femininas negras, de forma individual ou coletiva. Pretende-se contribuir para que mulheres negras tenham mais subsídios para acessar espaços de tomada de decisão; mobilizem mais pessoas para a luta antirracista, por justiça, equidade racial e social e transformem o a sociedade a partir de suas experiências.

O último censo demográfico, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), de 2010, revelou que a população negra (pessoas autodeclaradas pretas ou pardas) residente no país é de 50,7% (7,6% pretas e 43,1% pardas) e dentro desse número, 53% é composto por mulheres negras. Para Clara, apesar dos dados demográficos apontarem as mulheres negras como maioria enquanto população, a realidade aponta a presença das mesmas como minorias nas políticas públicas e em seus acessos. “É exatamente pelo fato de enquanto mulher negra e ser escolarizada, ter um vinculo empregatício estável, um ganho em que me coloca entre os 5% da população na pirâmide de rendimentos, que eu sinto a necessidade de contribuir com/para esse público”, aponta.

A servidora pretende aplicar junto aos recursos garantidos pelo programa, variados meios de atuações voltados para o tema, que serão divididos em três linhas. A primeira será a qualificação acadêmica da mesma em uma seleção internacional de mestrado na área de políticas públicas, com foco no mercado de trabalho. “Esse segmento expressa de forma evidente as perdas e os ganhos de determinados segmentos sociais, e as mulheres negras em particular carregam os ônus no mercado de trabalho, por isso a necessidade de me preparar enquanto profissional”, aborda.

A segunda abordagem será o trabalho se baseando na liderança executiva, gerenciamento de projetos, metodologias de gerenciamentos de equipes, planejamento participativo e como combinar diferentes atores de politicas públicas para construir um planejamento. “Planejamento é um objeto especifico da carreira de APO então é uma área que eu gostaria de aprofundar”, ressalta. Marinho agregou como perspectiva cursos específicos na área de mediação de conflitos, para ela o estado é conflito distributivo, e é necessária uma visão de que é preciso mapear bem esses elementos.

A terceira área atuante será a comunicação. A proposta tende a trabalhar ferramentas estratégicas como o design thinking, que auxilia na imersão e na criação de projetos mais coesos e de melhor qualidade, o Storytelling que é necessário para fazer esse tipo de trabalho com o intuito de romper as barreiras estruturais, e a escrita afetiva como forma de aproximar as mulheres e suas perspectivas enquanto resistentes.

“É um repertorio amplo de capacitação e sei que mais adiante vai me permitir ser uma servidora pública melhor, e quem sabe uma interlocutora confiável para as populações negras no processamento de suas demandas”, conta. “As barreiras são existentes, mas pretendo combinar as diferentes competências que são ofertadas pela carreira ao qual faço parte para devolver esse investimento social”, conclui

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